|
![]() |
ORIGEM E FINALIDADES
O adestramento é a modalidade do Hipismo Clássico que exige correção, precisão de movimentos e harmonia entre cavalo e cavaleiro
Em se tratando de cavalos, a palavra "adestramento" pode ter dois significados.Um muito amplo e geral, que vem logo à cabeça e significa simplesmente ensino ou treinamento, sem maior especificação. E outro,de cunho do Hipismo Clássico, que corresponde ao nome próprio de uma modalidade.Na modalidade Adestramento ou Dressage, como é conhecida internacionalmente, o significado se liga necessariamente à ideia de correção,precisão de movimento se à harmonia entre cavalo e cavaleiro.Às vezes essa correção e a fineza de movimentos são tão grandes que o Adestramento costuma ser chamado também de "balé da equitação".
É importante não confundir amestramento com Adestramento. O primeiro é o treino ou ensino de coisas sem utilidade no dia-a-dia do uso do cavalo. Geralmente corresponde a coisas exóticas e extravagantes, alheias à natureza do animal que se monta. É o que se faz muito, por exemplo, nos cricos. Já o Adestramento se prende sempre a um ensino padronizado e eminentemente útil. A Confederação Brasileiro de Hipismo (CBH) diz que o Adestramento tem como consequencia tornar o cavalo, ao mesmo tempo, calmo, maleável, descontraído e flexível; bem como confiante, atento e ativo, realizando assim, um perfeito entendimento com seu cavaleiro.
AS ORIGENS
Os prenúncios do Adestramentoremontam à Grécia Antiga, com Xenofonte (historiador e instrutor equestre do século III antes de Cristo). Muitos de seus preceitos de não violência e do não uso da força são válidos até hoje. Ao longo da história essa maneira mais adequada de preparar e montar cavalos foi se desenvolvendo gradualmente.
O desabrochar do Adestramento teve como berço a Europa renascentista, mais especificamente a Itália. Mas na forma como o conhecemos hoje, se deve principalmente ao grande mestre francês do princípio do século XVIII, François de la Guerinière, que teve o mérito de aprimorar e refinar todas as técnicas conhecidas até então. Esses ensinamentos estão registrados em sua obra "Escola de Cavalaria ", considerada a "biblia" do Adestramento e base teórica da Escola Espanhola de Equitação de Viena - o tempo máximo da arte clássica eqüestre. Uma das principais diferenças do Adestramento daqueles tempos e o de hoje é o caráter de competição que a modalidade assumiu neste nosso século.
O princípio mais sagrado do Adestramento foi dado por outro grande cavaleiro francês, o general L' Hotte. Corresponde ao enunciado calmo, direito e para frente. Significa que para fazer qualquer coisa bemfeita, o animal não pode estar nervoso, andar torto ou rígido de um lado e também não pode prescindir de forte impulsão. Quanto mais se monta, mais adquire-se consciência desta verdade de validade incontestável. Esta deve ser a primeira e última preocupação do Adestramento, que tem ainda a virtude de desenvolver, tanto no cavalo como no cavaleiro, a disciplina, a perseverança, a prontidão, a discrição, a elegância, a graça e a leveza de movimentos.
Tendo surgido como forma sistematizada de preparar e mostrar um cavalo de montaria, no Adestramento não há, e nunca houve, preocupações com grandes velocidades. Nas provas não existe corrida contra o relógio, muito embora haja um tempo limite. Mas o que conta são movimentos bem feitos sem resistências, leves, graciosos e precisos. Com a sua expansão o Adestramento se tornou uma prática de regras padronizadas, a fim de que os cavaleiros fossem testados em competições internacionais. Desde 1912, em Estocolmo, o Adestramento se constituiu também numa modalidade olímpica dos esportes.
O QUE SE FAZ NO ADESTRAMENTO
As reprises - nomes que se dá às várias provas de Adestramento - consistem essencialmente de figuras ou movimentos exigidos a passo, trote e galope, ora reunidos, ora médios e ora estendidos. Procurando sempre a máxima perfeição possível, as reprises variam em categorias de dificuldade, desde as mais fáceis até as mais completas.
Nas primeiras, os movimentos são relativamente simples, apenas com deslocamentos bem retilíneos e curvas ou círculos bem arredondados. Nestas categorias os trabalhos são de uma só pista, isto é, de deslocamento onde os pés dos cavalos seguem os mesmos rastros ou caminhos de suas mãos. Já nas reprises um pouco mais avançadas pede-se o trote alongado e o galope reunido. Pede-se também os trabalhos em duas, isto é, deslocamentos nos quais os pés não seguem os mesmos rastros ou caminhos das mãos. São eles o ceder à perna, o espádua para dentro, o "travers "(cabeça ao muro), o "renvers"(garupa ao muro) e o apoiar.
Todos esses movimentos têm a finalidade de flexionar o animal, aperfeiçoar a cadência, engajar mais os posteriores, melhorar o posicionamento da cabeça e pescoço e ainda tornar mais leve as respostas aos comandos das rédeas, assento e pernas do cavaleiro. Nas reprises bem avançadas estão incluídos movimentos de Alta Escola como o piaffer - trote no mesmo lugar, reunido , cadenciado, elevado e majestoso -, a passage - trote reunido, alçado, bem cadenciado, muito impulsionado e com um tempo de suspensão maior do que o normal - a pirueta ao galope ( giro de 360º ao redor do posterior interno ) e a mudança de pé do galope ao tempo ( troca no ar da seqüência dos apoios do galope, em linha reta e a cada passada).
As três reprises mais difíceis foram elaboradas pela Federação Eqüestre Internacional ( FEI ) e são as seguintes: São Jorge, Intermediárias e Grande Prêmio. Na São Jorge exige-se, entre outras coisas, passo atrás, movimentos em duas pistas ao trote e ao galope, meia pirueta e mudança do pé ao galope na reta a cada três a quatro passadas, num total de 31 figuras para serem realizadas em 9,30 minutos. Na Intermediária II acrescenta-se a passage e o piaffer. Ela é uma preparação para a mais difícil de todas que é o Grande Prêmio. Reservada aos mais brilhantes cavaleiros e aos seus talentosos cavalos, a reprise Grande Prêmio precisa de total harmonia e nenhuma impressão de esforço. Consta de 39 figuras, inclusive com a mudança de pé do galope ao tempo na linha reta, e dispõe de dez minutos para sua realização total.
Vale ainda citar a reprise livre ( Kür ), talvez a mais interessante de todas. Semelhante a Grande Prêmio em grau de dificuldade, diferencia-se desta, entretanto, por deixar ao concorrente a completa liberdade na escolha da ordem e seqüencia dos movimentos do seu programa de apresentação. Pode e deve ser acompanhada por um fundo musical apropriado. Por tudo isso, além de nada monótona, a reprise livre é muito agradável de ser assistida até mesmo pelos leigos no Adestramento.
FINALIDADE DO ADESTRAMENTO
Todos os cavalos e cavaleiros que praticam qualquer outra modalidade do Hipismo deveriam primeiro ter um bom embasamento de Adestramenrto. Ë dele que saem as técnicas e orientações para o bom cavalgar, em qualquer atividade eqëstre, mesmo que de serviço.
Como se pode ver, O Adestramento é fundamental para uma equitação bem embasada. Por outro lado, esta ë uma das modalidades com o menor número de praticantes no Brasil. (O interesse por parte dos brasileiros tem crescido com mais intensidade há apenas oito anos. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná possuem a maior concentração de praticantes do Adestramento no Brasil, mas ainda assim muito pequena). Isso é explicado pela carência de bons instrutores e principalmente porque é uma modalidade que exige muita paciência, dedicação e tato. Em compensação pode ser praticada por cavaleiros de qualquer idade, desde os mais jovens até os mais idosos, pois praticamente não envolve qualquer perigo de acidente.
* Sérgio Lima Beck - é autor de livros e fitas sobre estes e outros assuntos eqüestres. Ministra cursos de doma racional e de Equitação em todo Brasil.
Revista Horse Business
|
|
Cyber Horse
|